Das categorias envolvidas na derivação de como assim de incredulidade no português brasileiro

Autores

  • Raquel Sousa Universidade Estadual de Campinas

Palavras-chave:

como assim de incredulidade, interrogativas-wh, português brasileiro, cartografia

Resumo

Guesser, Sousa e Kédochim (2019) argumentam que a expressão como assim de incredulidade (CAI) é um sintagma-wh de escopo alto nas sentenças, gerado diretamente na periferia esquerda, em [Spec,Int]. Neste squib, tomando a valoração de traços como uma estratégia feita derivacionalmente por meio de movimento (CHOMSKY, 2001; DONATI, 2008), fazemos uma análise dessa proposta considerando a hierarquia universal assumida no âmbito da cartografia sintática (RIZZI, 1997, 2001, 2004; CINQUE, 1999, 2006), além de preceitos dessa abordagem, tais como o princípio one feature, one head (KAYNE, 2005). Como metodologia, utilizamos expedientes utilizados na cartografia, como testes de precedência e transitividade (CINQUE, 1999) e testes de coocorrência de elementos supostamente pertencentes à mesma categoria (TESCARI NETO, 2019). Por meio de testes com advérbios semanticamente correspondentes às categorias MoodMirativeP e MoodEvidentialP, demonstramos a sensibilidade de CAI nesses contextos, o que sugere que esse sintagma-wh ocupa tais posições em seu processo derivacional. Além disso, testes de precedência e transitividade sugerem uma posição de pouso final acima da categoria ModP, como é assumido por Guesser, Sousa e Kédochim (2019). Os testes aqui aplicados sugerem que CAI é gerado em uma posição mais baixa e posteriormente valora traços de miratividade e evidencialidade na zona alta de IP antes de alcançar a posição final em PB, aqui assumida como [Spec,Int].

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Publicado

14.12.2020